Induções Rápidas e Instantâneas

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Você sabe como hipnotizar uma pessoa rapidamente?

Para conseguir isso, é preciso conhecer os conceitos por trás das induções rápidas e instantâneas. E também estar atento às respostas que o sujeito está dando, aos seus sinais.

Mas antes, conheça abaixo os principais tipos de induções hipnóticas!

A hipnose é um ritual

Ao fazer hipnose, ao conhecer todas as suas etapas, é importante entender que ela é um ritual. Isto é, não se trata de chegar para um sujeito e sugerir-lhe dormir, e assim ele entrará em transe. Mesmo que isso funcione para alguns, provavelmente para os sonambúlicos, nem todos são assim.

O ritual reforça o loop hipnótico. Além das crenças, performar um ritual tem um propósito semântico de reforçar o significado da hipnose para o sujeito. Isto é, a pessoa, ao entrar em processo de hipnose, pode pensar: “A hipnose está acontecendo!”. E isso alimenta o loop.

Portanto, é essencial para o hipnotista conhecer diferentes tipos de induções para saber qual o melhor para a pessoa a ser hipnotizada. E ser capaz de preparar um ritual adequado a ela.

Induções rápidas

As induções rápida são aquelas que levam o sujeito rapidamente ao transe, em questão de poucos minutos.

Indução de Dave Elman

Esta é a mais usada na clínica. E de todas que vamos falar neste artigo, é a mais lenta. Mas mesmo assim, é uma indução rápida, pois não levam mais de 3 minutos.

Com a indução de Dave Elman, leva-se a pessoa ao transe pelo relaxamento. É como se a hipnotizasse várias vezes.

 

 

Indução por quebra de padrão

Também conhecido como Aperto de Mão de Bandler. Mas na verdade a técnica mais utilizada foi adaptada de Richard Bandler por Anthony Jacquin.

É uma indução rápida e teatral. A regra é, simplesmente, interromper um padrão.

O hipnotista dá um falso aperto de mão. Ou seja, pega na mão do sujeito e leva-a até o topo da cabeça. Essa ação de não prolongar o aperto e levantar a mão quebra a expectativa da pessoa. Ela pensa que aconteceria algo, mas outra coisa aconteceu.

O movimento de dar um aperto de mão é um pensamento automático. A pessoa se desliga temporariamente e entra em automático.

A quebra de padrão ocorre quando o pensamento que está indo em uma direção acaba indo em outra, ao fazer algo diferente do esperado.

O pensamento automático, quando quebrado, fica mais propenso a receber instruções.

Induções instantâneas

São as induções que põem a pessoa em transe instantaneamente.

Indução de choque

Uma indução bastante polêmica é a de choque, pois envolve o corpo da pessoa a ser hipnotizada.

Alguns elementos por trás dessa indução:

  1. Atenção concentrada em apenas um ponto ou ideia. Se a concentração está fixa em uma coisa só, a indução funciona melhor.
  2. O uso do “congelar” do cérebro reptiliano ー primitivo e instintivo. Seria aquele susto que te paralisa, como em um assalto. Só que o hipnotista adapta isso para fazer com que o sujeito entre em transe. Algo como um grito de “Durma!”, e a pessoa terá um pequeno choque em seu sistema nervoso central.
  3. Mas de nada adianta apenas assustá-la. É indicado fazer uso do corpo dela. Após o choque, o hipnotista precisa encostar no sujeito, seja arm pull, hand drop… O corpo do sujeito precisa estar envolvido.

Ancoragem

Essa indução, que também é uma reindução, estabelece uma âncora para a pessoa. Esse termo é usado tanto na PNL quanto na hipnose.

Em poucas palavras, é o emparelhamento de uma emoção com algum estímulo externo.

O conceito vem do condicionamento clássico de Pavlov, oriundo de seu famoso experimento com cães.

Toda vez que os bichos eram alimentados, o médico tocava uma sineta. Com o tempo, os cães começaram a associar as badaladas à comida. E chegavam a babar famintos só de ouvir o sino, mesmo que o prato deles estivesse vazio. Muitos podem lembrar que já ensinaram truques parecidos para seus cãozinhos, mas a experiência de Pavlov tinha um propósito bem mais nobre do que disciplinar o melhor amigo do homem. A ideia do médico russo era propor uma novidade científica: os reflexos condicionados. (…)

O que Pavlov descobriu é que esses reflexos também podem ser criados do nada, sem um motivo concreto para eles entrarem em ação, além de não funcionarem apenas com animais.

Todo estímulo que acontece simultaneamente, é neutro. Mas se acontece simultaneamente a um estímulo que já temos algo de instintivo, uma resposta incondicionada, acabamos associando-a ao estímulo

Se, depois, esse estímulo surge sozinho,atribui-se esse estímulo à causa que foi condicionado.

Por exemplo, pessoas que trabalham ao telefone. Se fora do serviço ouvem-no tocar, podem chegar a ter taquicardia! Isso porque um estímulo que não é instintivo (o celular), ficou associado a algo instintivo, que é estar apreensivo ante o perigo.

Agora, a âncora da hipnose é mais ampla. É o emparelhamento de um estímulo neutro com sensações.

Por exemplo, um estímulo muito usado na hipnose é o estalo de dedos, o signo sinal.

Ao aprofundar o transe, o sujeito pega aquele estalo de transe e faz o emparelhamento com um estímulo não instintivo, que é o estalar de dedos.

É um atalho que desencadeia o que era condicionado, a sensação de relaxamento do transe.

Desse modo, é possível fazer a reindução do sujeito apenas com o signo sinal.

Veja como funciona a hipnose no controle da dor!