A Personalidade Afeta a Nossa Resposta à Hipnose?

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Você já se perguntou:

  • Qual a relação que existe entre personalidade e hipnose?
  • Será que todo mundo pode ser hipnotizado?
  • Ou todo mundo é hipnotizado igual?

Neste artigo, vamos analisar os elementos de personalidade e o que isso significa em relação à nossa suscetibilidade hipnótica.

Há muitas pesquisas que foram realizadas examinando uma variedade de testes de personalidade padronizados e perfis em relação à hipnotizabilidade.

Confira!

Alguns grandes estudos

Em 1992, o professor Irving Kirsch e Council trabalharam em um livro de Fromm e Nash, “Pesquisa Contemporânea da Hipnose”. Eles concluíram que, de todos os testes de personalidade, sistemas de perfis e medidas examinadas, não havia correlação evidente entre nenhum deles e hipnotizabilidade.

Dos outros grandes estudos, examinando tipos de personalidade e hipnose dentro de testes de personalidade padronizados, Nordenstrom, Council e Meier, em 2002, apareceram no “Jornal Internacional de Hipnose Clínica e Experimental”.

Costa e McCrae, em 1997, também não encontraram uma relação real entre a hipnotizabilidade e as características de personalidade apresentadas.

… Então, isso poderia ser o final do artigo!

Mas não é necessariamente o fim da história!

Outros estudos: Personalidade e Hipnose

Lá em 1970, no livro “Personalidade e Hipnose: Um Estudo do Envolvimento Imaginativo”, Hilgard afirma que a hipnotizabilidade é melhor entendida em termos da capacidade de um indivíduo de ser envolvido imaginativamente. Ela definiu como:

A capacidade de imersão quase total em alguma atividade, excluindo estímulos competitivos irrelevantes.

Hilgard defendia a noção de que, se um indivíduo era bom em ser seletivamente focado ou imerso na experiência imaginária, o indivíduo seria responsivo à hipnose.

Agora, a pesquisa que explora essa noção de Hilgard oferece uma série de interpretações variadas e resultados diferentes. E muitas vezes não conclusivos. Talvez seja por causa das maneiras subjetivas que interpretamos nossas imaginações. Quer dizer, tente medir as respostas da imaginação!

Eu assisti a um filme com amigos onde fiquei apavorado porque imaginei certos aspectos dele. Deixei minha mente preencher os espaços em branco deixados pelo filme. Meus amigos bocejaram e ficaram perplexos porque eu respondi dessa maneira.

hipnose e personalidade
Filme: Jogos Mortais. Imagem: Unplash

Acho que na vida encontramos pessoas cuja imaginação tende a ser capaz de altos níveis de pensamento abstrato e criatividade. Enquanto outras podem ser sérias e unidimensionais.

Algumas escolas de pensamento acreditam que o modo como nossa imaginação funciona e como reagimos e respondemos a ela é um fator importante, quando se trata de hipnotizabilidade.

Embora tenhamos vários sinais comuns que procuramos para observar se alguém está em hipnose e testamos seus níveis de responsividade, o indivíduo que o experimenta tem uma experiência subjetiva, aberta a muitas interpretações.

Em que ponto uma pessoa hipnotizada pensa: “Isso é hipnose que estou experimentando”?

O que as pessoas experimentam, quando são hipnotizadas, pode variar dentro dos indivíduos.

Às vezes, pode ser quase irreconhecível como uma vigília do dia a dia.

Para outros, pode ser incrivelmente profunda, com uma variedade de sensações particulares..

Não acho que alguém experimente exatamente a mesma coisa que outro. E como saberíamos, de qualquer maneira? Podemos ter empatia e usar a linguagem para encontrar paralelos…

Então, para alguém que pode descrever a si mesmo como carente de uma imaginação fértil, talvez tenha experimentando um senso menos profundo ou intenso de hipnose. Eles podem não acreditar que foram hipnotizados…

Ainda mais se eles compararem sua experiência a alguém que tem uma imaginação fértil e teve uma experiência intensa de hipnos. Assim, “provar” a experiência deles não era a mesma e, portanto, não foram hipnotizados.

Ou se não foram devidamente educados antes da sessão de hipnose, eles podem até mesmo dizer: “Eu não estava hipnotizado, eu podia ouvir qualquer palavra que você disse para mim” — Quem disse que a hipnose te deixa surdo!

A capacidade imaginativa

As capacidades imaginativas dos indivíduos precisam ser levadas em consideração, ao decidir qual abordagem usar com alguém.

Em seu trabalho de 2000 apresentado no American Journal of Hypnosis, intitulado “Uma Compreensão Mais Profunda da Hipnose”, Theodore Barber desenvolveu e construiu noções de imaginação em resposta à hipnose.

Ele escreveu sobre o indivíduo “propenso à fantasia” dentro de seu estudo de indivíduos altamente hipnotizáveis. Barber afirmou que as pessoas que eram “propensas à fantasia” são aquelas que podem ser imersas em seu próprio mundo, sonhar bastante e fantasiar com frequência; também são muito responsivas à hipnose.

hipnose e personalidade
Imagem: Unplash

Assim, as facetas de um indivíduo, como imaginação, propensão à fantasia e capacidade de imergir na experiência, parecem ser coisas a se ter em conta quando se trata de personalidade e hipnose.

Adaptado e traduzido de: Personality, Traits and Hypnotisability. Does Personality Effect Our Response To Hypnosis? (Adam Eason).

 

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