Hipnose Ericksoniana: Comandos Embutidos e Marcação Analógica

A hipnose ericksoniana é bastante conhecida no meio da hipnose. E duas técnicas importantes que ele desenvolveu foram:

  1. embedded commands (comandos embutidos);
  2. analog marking (marcação analógica).

O que muitos não sabem é que esses conceitos nunca foram realmente ensinados por Milton Erickson.

Na verdade, eles foram identificados pelos pesquisadores Richard Bandler e John Grinder. Eles foram até a casa do Milton Erickson para ver como que ele fazia terapia.

Depois que eles identificaram esses padrões, eles colocaram tudo compilado em dois livros: Patterns of Hypnotic techniques of Milton H. Erickson, volumes I e II.

Vamos ver abaixo melhor sobre esses conceitos de hipnose ericksoniana!

Hipnose ericksoniana e os comandos embutidos

De forma geral, os comandos embutidos são técnicas disfarçadas. Você dá sugestões, com o objetivo de plantar uma ideia na mente da pessoa, sem que ela perceba.

E esses comandos de hipnose ericksoniana podem ser embutidos de várias formas.

Imagine, por exemplo que você vai hipnotizar uma pessoa e lhe pergunta:

Você gostaria de ser hipnotizado de forma mais lenta ou de forma mais rápida?

Quando faço essa pergunta, eu já estou subentendendo que essa pessoa vai ser hipnotizada de qualquer maneira. Existe um comando embutido, uma ideia disfarçada aí.

Ou que numa hipnose de rua, até mesmo num bar, você quer fazer alguém esquecer o próprio nome no meio da conversa. E queira fazer isso de forma conversacional. Isto é, sem uma indução hipnótica formal ー sem falar “durma” ou “feche os olhos”.

Você pode começar essa rotina de amnésia simplesmente perguntando:

Você já esqueceu uma coisa importante?

Só de a pessoa pensar nessa ideia de esquecer alguma coisa importante, ela já fatalmente começa a propiciar a possibilidade de se esquecer de alguma coisa.

Um tipo de comando embutido é, simplesmente, você jogar uma pergunta na conversa que tenha a ver com a ideia que você quer plantar.

No primeiro exemplo, eu utilizei um comando embutido chamado double bind, em que você simplesmente cria um falso dilema. “Você prefere entrar em transe mais lentamente ou mais rapidamente?” Estou subentendendo que você vai entrar em transe de qualquer maneira.

No segundo exemplo, eu embuti na pergunta a ideia que eu queria plantar. “Você já esqueceu alguma coisa importante?” Ou seja, essa pessoa já está propensa a esquecer.

Verbos embutidos e disfarçados

Agora, outra forma de fazer comando embutido é usando verbos que possuem um significado embutido e disfarçado. Suponha que você pergunte a seu amigo:

Vai tentar o vestibular esse ano?

Pode não parecer, mas quando você pergunta isso, você já está subentendendo que essa pessoa não vai passar no vestibular. Esse “tentar” já subentende a ideia de fracasso. Se você vai tentar, provavelmente nem vai conseguir.

É por isso que quando estamos colando a mão de alguém com hipnose, falamos: “tente soltar”. Porque o tentar implica que essa pessoa não vai conseguir.

E todos esses são comandos embutidos, ou seja, comandos disfarçados. Seja por causa do double bind, ou do falso dilema. Seja porque a pergunta já coloca essa ideia. Ou até mesmo porque existem verbos que já possuem embutidos algum significado de forma disfarçada.

Hipnose ericksoniana e a marcação analógica

Todo o trabalho do Milton Erickson é baseado em algum comando embutido. Alguma solução indireta e disfarçada. Em um deles está a chamada marcação analógica. Como ela funciona?

Pense sobre a seguinte frase:

Todas as pessoas têm habilidade de encontrar os recursos de que precisam para alcançarem seus objetivos

Essa frase possui um comando embutido: “encontrar os recursos de que precisam”.

Então, para garantir que a mente inconsciente da outra pessoa leia esse comando embutido, com essa marcação analógica, é importante que você mude a forma que esse comando vai ser dado.

E isso pode ser alterado de várias formas diferentes.

Agora, além de poder mudar a voz para fazer a marcação analógica, você pode dar um toque pra enfatizar algum verbo ou adjetivo. Ou até mesmo apontar para poder representar aquilo que você está falando.

Uma breve história da hipnose

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