Você É Hipnotizável?

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Seu cérebro e sua sugestibilidade hipnótica

A hipnose é praticada há centenas de anos. E ela fascina o público faz mais ou menos o mesmo tanto de tempo.

A hipnose envolve um estado de foco interno aprimorado. Assim como pode ser uma ferramenta valiosa para modular a dor, náusea e outros sintomas físicos. Diminui a ansiedade e influencia o desempenho na tarefa cognitiva.

A hipnose também é frequentemente usada para facilitar a perda de peso, melhorar a confiança e ajudar a quebrar maus hábitos.

Quem é mais hipnotizável?

Milton H. Erikson dizia que a maioria das pessoas poderia ser hipnotizada se o clínico fosse habilidoso o suficiente.

No entanto, o consenso atual é que cerca de dois terços dos adultos são hipnotizáveis. E que essa característica é estável ao longo do tempo.

Várias medidas foram desenvolvidas para avaliar a hipnotizabilidade. Só que não abordam a questão do porquê uma pessoa pode ser mais hipnotizável do que outra.

Embora muitos fatores tenham sido postulados como preditivos de hipnotizabilidade, incluindo empatia, absorção e expectativa, as evidências têm sido inconsistentes.

Seu cérebro e a hipnose

Existe um estudo publicado na edição de outubro de 2012, da revista Archives of General Psychiatry. Nele, foi lançada uma nova luz sobre o que pode diferenciar aqueles que respondem bem ou não à hipnose.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que haveria uma maior comunicação funcional entre as Redes Executivas e Salientes do cérebro em pessoas altamente hipnotizáveis.

Usando imagens de ressonância magnética estrutural e funcional (fMRI), a equipe examinou os cérebros de 24 participantes, enquanto eles descansavam no scanner. Metade dos participantes foi caracterizada como “altamente hipnotizável” e metade “razoavelmente hipnotizável”, com base em suas respostas ao Perfil de Indução Hipnótica (HIP).

A Rede de Controle Executivo está envolvida na memória operacional. No planejamento, na tomada de decisões e na atenção.

A Rede Saliente está envolvida na detecção, integração e filtragem de informações relevantes sobre nossas emoções. Bem como sobre que está acontecendo no corpo. Essa rede é pensada para nos ajudar a identificar os estímulos internos e externos mais relevantes, atender a esses estímulos menos relevantes. E, portanto, gerar o comportamento adequado em resposta.

O que a equipe descobriu foi: aqueles indivíduos que eram considerados altamente hipnotizáveis ​​tinham significativamente maior conectividade funcional entre o córtex pré-frontal dorsolateral (cpfd) — em especial, o cpfd esquerdo (que faz parte da Rede de Controle Executivo) — e o córtex cingulado anterior dorsal (parte da Rede Saliente).

Curiosamente, não houve diferenças significativas entre os dois grupos no que diz respeito à estrutura cerebral. Apesar das diferenças na função.

Por que isso é importante?

Os autores concluíram que essas descobertas apoiam a afirmação de que aqueles que são altamente hipnotizáveis ​​têm melhor coordenação entre as áreas do cérebro que integram atenção, emoção, ação e intenção.

A hipnose pode ser uma ferramenta poderosa para controlar a dor, ansiedade e outros sintomas. Os resultados deste estudo dão maior credibilidade a oferecer este tratamento àqueles que provavelmente se beneficiarão de intervenções hipnóticas.

Finalmente, os dados ajudam a dissipar o mito de que a hipnose envolve o controle da mente. Em vez disso, sugere que a hipnose envolve um controle aprimorado do foco e da atenção.

Este estudo não nos diz se aqueles caracterizados como “hipnotizáveis” podem ainda não se beneficiar em algum grau da hipnose. Além disso, o estudo foi relativamente pequeno, o que limita a generalização dos resultados.

Os dados apresentados aqui descrevem as diferenças no funcionamento cerebral em repouso e não durante o transe hipnótico. Porém, os resultados parecem importantes.

Por: Trace Stain.  Artigo traduzido e adaptado de Are You Hypnotizable? (Psychology Today).

Você sabe como funciona a hipnose? Conhece as etapas de uma sessão?