Como Aprender Qualquer Idioma Mais Rápido

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Você está tentando aprender inglês ou qualquer outro idioma, mas não sai do nível básico? Ou, mesmo tendo um vocabulário amplo do idioma, ainda não consegue ter fluência?

Neste artigo, você vai conhecer os dois grandes problemas que atrapalham a aprendizagem, segundo a neurociência. E o que fazer para aprender qualquer idioma mais rápido.

Comece agora a aprender um novo idioma lendo este artigo!

Por que é tão difícil aprender um novo idioma?

Não é que seja assim “tão difícil” aprender um idioma rápido, mas há grandes chances de você estar estudando errado.

O principal obstáculo que impede uma pessoa de aprender um idioma não está relacionado, necessariamente, com a metodologia empregada ou com a idade em que se começa a estudar.

Ao contrário do que muitos pensam, aprender um idioma rápido na vida adulta é mais fácil do que na infância.

Uma pessoa adulta, geralmente, conhece mais palavras no próprio idioma do que uma criança. Isso facilita a aprendizagem de novas línguas, por causa dos cognatos. Isto é, palavras que têm uma origem comum entre dois ou mais idiomas.

2 motivos que dificultam você aprender qualquer idioma mais rápido

Segundo a neurociência, há dois motivos muito especiais que explicam porque algumas pessoas não conseguem aprender um idioma rápido. E o segundo motivo, é o erro que as pessoas mais cometem.

1. Transitoriedade

Segundo a Psicologia, a transitoriedade é a deterioração da memória ao longo do tempo. Esse processo de esquecimento é essencial para que a memória funcione bem.

O que acontece é que parte das memórias adquiridas precisa ser esquecida para dar espaço a novas e importantes memórias.

Por isso esquecer é tão importante!

Em decorrência da transitoriedade, o cérebro apaga de 60% a 80% do que estudamos, nas primeiras 24 horas. E isso acontece com todo tipo de aprendizagem, não apenas idiomas.

O ser humano só memoriza naturalmente aquilo que o interesse muito. E descarta automaticamente tudo que, inconscientemente, julgar irrelevante.

Por exemplo, se você tem um encontro para esta noite, provavelmente vai se lembrar. Seu cérebro também guardará com mais facilidade o número de telefone daquela paquera que você está gostando.  

E se uma pessoa põe o dedo na tomada, aprenderá imediatamente que isso é ruim. Ela não vai esquecer. Pois, isso é uma questão de sobrevivência.

Isso ocorre porque assuntos relacionados a satisfazer um desejo ou fugir de uma dor são muito relevantes para o cérebro.

O ponto é que, para o seu cérebro, aprender um idioma rápido não é essencial. Portanto, inevitavelmente, a transitoriedade vai acontecer.

E como isso afeta o aproveitamento nos estudos?

O que muitos estudantes fazem é estudar, por exemplo, inglês na segunda-feira, ou mesmo segunda e quarta. Porém, quando terminam os estudos da quarta-feira, só voltam a ter contato com o idioma na próxima segunda, deixando a transitoriedade acontecer por 4 dias inteiros.

Nesse período, o cérebro apagou praticamente tudo que ele estudou, sobrando quase nada.

Então, na verdade, esse estudante não está tentando aprender um idioma estrangeiro a 6 anos. Está reiniciando seus estudos a 6 anos.

Como resolver o problema da transitoriedade?  

Segundo Alberto Dell’Isola, professor de Psicologia e recordista latino-americano de memorização, aprender um idioma rápido está dividido em três “caixas”. Que chamaremos de caixa A, B e C.

Na caixa A, estão as coisas sobre as quais você tem certeza. Conteúdos sobre os quais você tem domínio.

Na caixa B, estão as coisas sobre as quais você tem dúvida, sabe mais ou menos.

E na caixa C, as coisas que você ainda não sabe e ainda não estudou.

O segredo para aprender um idioma rápido é focar seus estudos nas caixas A e B. Antes que você aprenda coisas novas, é importante que você transforme e desenvolva os conteúdos da caixa A e B. Reforçando o que você já sabe e dominando os conteúdos sobre os quais você tem dúvida.

A maior preocupação do estudante deveria ser muito mais em fazer a manutenção das informações que já sabe, do que adquirir novas informações.

Esse é o primeiro princípio para aprender qualquer coisa na vida!

Alberto conta:

Os alunos ficam muito pilhados em aprender o novo e tentar saber de tudo. Mas isso é uma furada. Eu, por exemplo, quando fui prestar vestibular para fazer psicologia, tinha 25 anos de idade e só 3 meses para estudar.

Eu tinha a absoluta certeza de que não teria tempo para aprender toda a matéria, mas eu sabia o seguinte…  É melhor ter certeza absoluta de metade da matéria do que saber a matéria toda mais ou menos.

Agora você já conhece o primeiro problema que impede muitas pessoas de aprender um idioma rápido.

Mas, esse ainda não é o principal. Vamos ao segundo problema!

como aprender qualquer idioma mais rápido
Imagem: Unsplash

2. Sobrecarga da memória operacional

Em nosso cérebro, semelhante aos computadores, temos uma espécie de “memória RAM”. Uma memória temporária, denominada de memória operacional.

É a memória que utilizamos para tomar decisões usando a consciência, mas sem salvar as informações na memória de longo prazo.

Por exemplo, alguém te fala um número de telefone e você consegue memorizar naquele momento. Mas, passado alguns minutos, acaba esquecendo.

A memória operacional está totalmente relacionada com a linguagem. Quando estamos conversando, a memória operacional organiza as informações que são relevantes para continuidade da conversa.

A informação chega, seu cérebro processa, e você fala.  

Porém, se eu te perguntar o que você falou há exatamente três minutos, talvez você não lembre, porque as informações estão sendo captadas, processadas e descartadas pelo seu cérebro, naquele momento.  

O maior problema relacionado à memória operacional é que ela guarda apenas 7 blocos de informação ao mesmo tempo. Uma quantidade limitada. E se houver um excesso de informação, seu cérebro trava.

É o que acontece quando tentamos guardar um telefone com mais de 9 dígitos. Se não houver um padrão ou repetição dos números, essa informação será descartada.

Como a sobrecarga da memória operacional afeta a aprendizagem?

A maioria das pessoas que estão tentando aprender um idioma rápido, especialmente iniciantes, tem um vício chamado tradução. Ele tenta traduzir tudo que lê ou escuta no outro idioma.

Esse comportamento de traduzir promove uma sobrecarga na memória operacional.

Por exemplo, a frase “The book is on the table”.  

A pessoa viciada em traduzir vai ler esta frase e pensar: The = o, book = livro, is = é/está, on the = no/na, table = mesa.  

E, então, depois de fazer esta tradução mentalmente, vai chegar à conclusão do significado: “O livro está na mesa”.

Esse esforço para processar várias informações causa uma sobrecarga na memória operacional.

Há muitas pessoas que, apesar de estudarem o idioma a muito tempo e terem um vocabulário amplo, não conseguem se comunicar. A razão, muitas vezes, está na sobrecarga da memória operacional através do vício de tradução.

Enquanto elas estiverem presas a esse hábito, não irão conseguir evoluir nos seus estudos. Por isso, os melhores professores de línguas falam que, para aprender um idioma rápido, é necessário aprender a pensar nesse idioma.

Como destravar a memória operacional? O segredo para pensar em inglês ou em qualquer outro idioma

O pensar na outra língua é algo que as crianças têm facilidade de aprender.

E como elas fazem isso?

O grande segredo para evitar a tradução mental e, consequentemente, a sobrecarga da memória operacional é aprender por blocos de informações. E é exatamente isso que as crianças fazem. Elas não criam associações, como os adultos.

Por exemplo, um iniciante vê uma cadeira e pensa: objeto = cadeira = chair, em inglês.

Na cabeça de quem pensa em inglês, existe apenas um link direto. Ela vê o objeto “cadeira” e já associa com a palavra em inglês, chair.

E para que você possa desenvolver a habilidade de pensar no idioma que quer aprender, é bem interessante usar um dicionário temático com figuras. E também utilizar flashcards para melhorar o seu vocabulário.

Isso é um excelente primeiro passo.

Como aprender frases inteiras sem precisar de tradução?

No inglês, por exemplo, há uma estrutura de frases para fazer afirmações e outra para fazer perguntas. Mas, as crianças não se preocupam com isso.

Uma criança americana de 4 anos não sabe fazer isso, mas sabe falar inglês. E a maioria das pessoas acaba errando isso porque está tentando aprender o idioma a partir da gramática.

Nenhuma criança aprende o idioma a partir de regras gramaticais. Ou melhor, ninguém aprende nada a partir da gramática. Só aprendemos a gramática depois.

Quando você começou a aprender gramática no português? Já tinha 11 anos de idade. Mas já falava fluentemente português, certo? Porque em outro idioma você teria que começar pela gramática?

Sobre isso, o professor Alberto Dell’isola fala o seguinte:

Eu estava na França e queria perguntar o preço de determinado objeto. Então, falei “Combien ça coute” e eu não sabia o significado de cada uma das palavras que falei, mas sabia que isso resolveria o meu problema. A tradução pode até acontecer, mas tem que ser por bloco de palavras e blocos de frases inteiros.

Você não tem que se preocupar, por exemplo, sobre o que fazer com o “do” ou “does” no inglês. O que você realmente precisa saber é, se você quer saber o filme preferido de alguém, deve perguntar “What’s your favorite movie?” ou se quer fazer perguntas usando o do ou does, “Do you like movies?”. Não tem que se preocupar em inverter, mas sim em saber a frase do bloco.

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Imagem: Unsplash

Técnicas e abordagens para aprender melhor

Para combater a transitoriedade e o vício da tradução, há algumas coisas que você precisa entender.

Aprenda as palavras certas e as frases certas

É preciso aprender palavras e frases relacionadas com o uso cotidiano do idioma. Há pessoas que querem aprender um idioma rápido, mas começam pelo nome dos animais.

O que seria mais interessante aprender para quem quer se comunicar em outro idioma: saber como se fala materiais de escritório ou como falar em um restaurante? Ou até mesmo o que falar no aeroporto?

Por isso, é essencial saber em quais contextos você vai se comunicar. Comunicar-se com fluência é comunicar-se sem interrupção, não de forma perfeita.

Se um americano chega a um restaurante do Brasil e fala “eu querer Coca-Cola”, ele está se comunicando. Todos saberão o que ele quer.

É exatamente isso que a criança faz, se comunica sem medo de errar.

ANKI

Além de mudar o idioma do seu celular e assistir filmes com legenda, fazendo a imersão no idioma, uma das melhores maneiras para aprender blocos de palavras e frases é através dos flashcards e repetições espaçadas.

Pensando nisso, recomendo o Software ANKI. Com certeza, vai te ajudar a combater a transitoriedade e associar objetos diretamente com as palavras do idioma que você está estudando.

O professor de inglês Mairo Vergara explica como usá-lo aqui.

 

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