Constantemente, o nosso cérebro busca aprender e se moldar às exigências e informações do ambiente externo. Dessa forma, ele consegue antecipar possíveis problemas e preparar o corpo, fisiologicamente, para fugir dele. É por isso que, ao alterar alguma percepção que está arquivada no cérebro, também é possível alterar a fisiologia.

É o que acontece, por exemplo, durante a pandemia. O bombardeio de informações e o medo de ser infectado gerou uma ansiedade. Isso fez com que o cérebro promovesse alterações fisiológicas, de acordo com as informações que ele já tinham, visando proteger o indivíduo da doença.

Para ficar mais fácil compreender, pense que, devido a um trauma, uma pessoa desenvolveu pânico de barata. Mesmo que racionalmente ela saiba que a barata não apresenta uma ameaça direta à sua vida, sempre que visualizar o inseto o seu organismo é alterado. Como o cérebro aprendeu que a barata é um risco para a vida, ele desencadeia alterações fisiológicas que visam a proteção. 

Por meio da hipnoterapia, o tratamento dessa fobia é viável. O cérebro aprende que a barata, na verdade, não é um risco direto à vida. Quando ele entende isso, não ativa as reações fisiológicas comumente observadas em uma crise de pânico. Veja como isso funciona na prática.

A capacidade cerebral de prever

Todos os dias as pessoas fazem escolhas desde que acordam. Elas escolhem o horário que se levantam, escolhem a roupa, escolhem quando saem de casa… Tudo isso é raciocinado e decidido levando em conta inúmeros fatores.

No entanto, essas pessoas não precisam, por exemplo, pensar em respirar. Elas simplesmente respiram porque o cérebro sabe que para que o corpo siga vivo, a respiração é necessária. Ao mesmo tempo, quando algo vai cair sobre a cabeça, é comum que a pessoa leve a mão para proteger ou corra. 

E esse ato de correr ou se proteger é feito sem que ela pare para pensar. Afinal, se precisasse raciocinar, provavelmente, quando tomasse a decisão de fuga ou proteção, já seria tarde. Quem faz com que o indivíduo se proteja é o cérebro. De alguma maneira, ele aprendeu que se algo será jogado contra a cabeça, há um risco. Por isso, ele prevê o risco e avisa o restante do organismo de que é hora de agir ou alterar a fisiologia.

Tudo é muito rápido, para que o corpo não perca tempo e aja antes de qualquer problema ocorrer. É graças a isso que a vida humana é preservada. 

“Resíduos” de memória podem afetar decisões

Uma pesquisa realizada pela Universidade de New South Wales, na Austrália, mostrou que o cérebro já sabe qual decisão a pessoa vai tomar, após pensar, mesmo antes dela ter raciocinado. 

O estudo estimou que onze segundos antes da pessoa decidir, o cérebro já sabe qual será a decisão. A descoberta foi feita por meio da análise do resultado da ressonância magnética funcional de imagens, que foi feita enquanto um grupo de pessoas respondia a perguntas.  

De uma maneira geral, os pesquisadores entenderam que no cérebro ficam vestígios do pensamento. E esses “resíduos” influenciam no processo de escolha atual. É como se a atividade cerebral anterior orientasse as escolhas atuais

Entretanto, ao mesmo tempo, dizem que não é possível determinar que todas as escolhas atuais são consequentes de atividade cerebral pré-existente. Apenas que o que já aconteceu ou já foi pensado, foi arquivado pelo cérebro. E que isso pode ser usado para que as decisões atuais sejam tomadas. 

Hipnose para alterar as previsões do cérebro e trabalhar a ansiedade

O cérebro faz previsões e induz as alterações fisiológicas necessárias para que o organismo sobreviva ao que ele entende como prejudicial. Essas previsões alteram a expectativa e imaginação. Com a expectativa alterada, novamente, o organismo volta a mudar a fisiologia, e o organismo entra em um looping

Isso acaba intensificado, por exemplo, um sinal clínico. Quanto mais se pensa no sinal clínico, mais ansiedade se tem e mais intensa a manifestação fica. Por isso, quando a pessoa consegue focar o cérebro em outra coisa, ao invés dele provocar alterações fisiológicas que acabam intensificando um sinal clínico, por exemplo, o indivíduo acaba relaxando e diminuindo a percepção da manifestação que estava tendo. Isso é possível por meio da hipnoterapia.

Para ficar mais fácil de compreender, pense que você está realizando uma tatuagem. Se antes do procedimento, o tatuador avisar que vai doer muito, o seu cérebro, naturalmente, começa a se preparar para uma situação de dor intensa.

Assim, ele provoca alterações fisiológicas que acabam, muitas vezes, fazendo com que a pessoa sinta ainda mais dor. Quando o indivíduo realiza o mesmo procedimento enquanto faz a auto hipnose, por exemplo, ele faz com que o cérebro foque em outra coisa.

Com isso, o cérebro se volta para o relaxamento. Assim, não começa a tomar decisões que provoquem alterações fisiológicas que venham a causar mais dor. Dessa forma, por meio do relaxamento provocado pela hipnose a pessoa acaba tendo alterações fisiológicas e, consequentemente, sentindo menos dor. 

Esse mesmo processo pode ser trabalhado em casos de crise de ansiedade. Veja como a hipnoterapia pode ajudar nesses casos.

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