O Que É A Hipnose e Para Que Serve?

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Você sabe o que é hipnose? Ela, há séculos, está envolta em mistérios e mitos. Chega a ser vista por muitos como uma atividade suspeita, ou até charlatanismo. Mas, ao mesmo tempo, atraiu a atenção de muitos estudiosos do comportamento humano.

Não faz muito, a hipnose começou a receber o seu devido reconhecimento. Mas foi um processo lento, devido a esses efeitos controversos que as pessoas dizem saber sobre a hipnose.

Neste artigo, responderemos às perguntas mais comuns da hipnose, com o intuito de desmistificá-la e explicá-la, cientificamente.

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O que é hipnose?

De acordo com Associação Americana de Psicologia (Div. 30 – Society of Psychological Hypnosis), a hipnose é:

um procedimento durante o qual um profissional de saúde ou pesquisador sugere, ao tratar alguém, que ele irá experimentar mudanças nas sensações, percepções, pensamentos ou comportamento.

Embora existam muitos tipos de indução de hipnose, como as de Dave Elman ou Milton Erickson, normalmente se tratam de sugestões de relaxamento, de calma e de bem-estar. Dá-se instruções para imaginar ou pensar em experiências agradáveis, durante a hipnose.

As pessoas respondem à hipnose de maneiras diferentes. Alguns descrevem que a hipnose é um estado de atenção concentrada, no qual eles se sentem muito calmos e relaxados.

Porém, a maioria das pessoas descreve a experiência como agradável.

De onde vem o mito da hipnose?

A hipnose, apesar da definição acima vir de um local científico, é um tema polêmico.

Há muitos conceitos mal entendidos que a mistificam, o que leva as pessoas a não a levarem a sério. Isso vem também desde seus primeiros usos na Idade Média, anterior a James Braid.

O mito da hipnose é apresentado na mídia, em histórias como “Mogli: o menino lobo” (Disney; 1968, 2016) e “Escorpião de Jade” (Woody Allen; 2001).

Comumente na forma de uma história que inclui a interação entre hipnotizador e hipnotizado e resultados a curto e longo prazo.

Nestas tramas, a hipnose é apresentada como um estado instantâneo, semiconsciente e semelhante ao sono. Este é produzido por um hipnotizador poderoso que tem uma influência quase milagrosa no participante submisso hipnotizado. Também seguido de devastadoras consequências a longo prazo.

De onde vem as falsas crenças

Na sociedade ocidental, existem pelo menos três dimensões em que podem ter essas concepções erradas sobre a hipnose:

  1. pessoal e interpessoal; experiências próprias;
  2. grandes grupos ou eventos locais-nacionais;
  3. o histórico-cultural-mítico.

Equívocos que se desenvolvem nos níveis pessoais e interpessoais são geralmente causados ​​por experiências negativas ou semi-profissionais com hipnose. Assim como com experiências hipnóticas, como meditação, imaginação guiada e hipnose de palco. Além disso, esses equívocos chegam baseado em histórias contadas por parentes, amigos, ou conhecidos. Informações do teatro, livros, filmes, etc.

As falsas crenças locais-nacionais sobre a hipnose geralmente surgem de lendas urbanas e eventos bem conhecidos na memória local-nacional.

Por exemplo, em Israel, um dos equívocos mais frequentes, entre o público em geral sobre a hipnose, é que a pessoa não pode ser acordado após uma sessão de hipnose. Este equívoco provavelmente persistiu devido ao caso bem conhecido de um estágio hipnotizador que foi incapaz de deshipnotizar um dos sujeitos durante um show.

Baseado em livros de hipnoterapia populares norte-americanos, o erro mais comum sobre a hipnose é que é uma forma poderosa de controle da mente.

No Brasil, ficou conhecida (e temida) como hipnose a propaganda infantil do chocolate Batom: “Compre Batom”. Voltada ao público infantil, ao usar sugestões diretas e persuasivas, acabou sendo proibida pela ABAP (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), em 2013.

Os elementos histórico-culturais-míticos que influenciam as visões do público são atribuídos à história da hipnose moderna. Com nomes como Mesmer, Braid, Charcot e Freud.

Mito ou verdade?

O hipnotizado perde a consciência?

Não. Há quem acredite que a mente não volte, após uma sessão de hipnose. É importante perceber que, durante a sessão, o hipnotizado não perde a consciência. Esse conceito é essencial para compreender o que é hipnose.

Ele apenas entra em um estado de grande relaxamento e atenção. A pessoa permanece acordada durante todo o processo e pode sair do transe sozinha. Existem sim casos em que o hipnotizado experimenta um estado de relaxamento tão agradável, que não aceita a sugestão do hipnoterapeuta de voltar. Quando isso acontece, a pessoa permanece mais um tempo em transe até que cai, naturalmente, no sono e acorda

A hipnose deve ser usada para recuperar memórias?

A noção de que a hipnose pode alterar permanentemente memórias é conhecida desde o século 19 (Freud, Bernheim, Janet, Forel) no campo da hipnose e da psicologia.

Acreditavam ser útil e catártico o uso da hipnose para induzir a regressão de memórias traumáticas passadas para revivê-las. E uma vez não estando mais reprimidas, passariam a ter benefícios terapêuticos.

No entanto, há informação científica e médica disponível que demonstram que a própria natureza da memória é tão maleável, que o uso da hipnose pode resultar na criação e implantação de falsas memórias.

A Síndrome da Falsa Memória (SFM) foi um termo cunhado em 1992 pela Fundação da Síndrome da Falsa Memória. Descreve o fenômeno de que alguns adultos se lembram, tardiamente, de detalhes de um abuso sexual na infância. E eles podem estar enganados quanto à eficácia de suas memórias.

As falsas memórias são resultados de terapia de memória recuperada, outro termo também cunhado pela FSFM, no ínicio dos anos 1990.

Veja mais sobre isso aqui.

A hipnose produz efeitos negativos?

Muitos podem não entender muito bem o que é hipnose porque têm medo de suas reações indesejadas. Principalmente porque podem ser incapazes de lidar com elas. Afinal, se a hipnose produz profundas alterações na consciência, percepções e sensações, as coisas podem ficar fora de controle durante o sessão?

No entanto, na maioria dos estudos experimentais, os sujeitos descrevem uma a experiência da hipnose como positiva.

É comprovada cientificamente?

Sim!

Existam muitos exemplos na literatura científica que atestam a utilidade da hipnose clínica.

O estudo envolveu 204 pessoas que sofrem de Síndrome do Cólon Irritável. O tratamento consistiu em 12 sessões semanais de hipnose (com duração de aproximadamente uma hora cada). 58% dos homens e 75% das mulheres relataram alívio significativo dos sintomas imediatamente após o término do tratamento. Mais de 80% dos que relataram alívio inicial ainda foram melhorados até seis anos depois. Menos de 10% dos participantes tentaram outros tratamentos após a hipnoterapia. (Gut, novembro de 2003).

  • Quer ler mais artigos científicos sobre hipnose? Confira aqui!

A hipnose é uma terapia?

A hipnose não é um tipo de psicoterapia. Como também não é um tratamento em si mesmo. Em vez disso, é um procedimento que pode ser usado para facilitar outros tipos de terapias e tratamentos.

A hipnose não é um tipo de terapia, como a psicanálise e a terapia comportamental. Em vez disso, é um procedimento que pode ser usado para facilitar terapia. É necessário um treinamento adequado em hipnose para a melhor condução da terapia.

A hipnose clínica deve ser usado apenas por profissionais de saúde devidamente treinados e credenciados (por exemplo, psicólogos clínicos licenciados), e que também foram treinados para o uso da hipnose.

Usos da hipnose

A hipnose, sendo auto-hipnose ou clínica, possui diversos usos.

A hipnose tem sido usada no tratamento da dor; contra a depressão; ansiedade e fobias; estresse; distúrbios de hábitos; problemas gastrointestinais; condições de pele; recuperação pós-cirúrgica; alívio de náuseas e vômitos; parto; e muitas outras condições.

No entanto, pode não ser útil para todos os problemas psicológicos e/ou médicos ou para todos os pacientes ou clientes.

A decisão de usar a hipnose como adjuvante do tratamento só deve ser tomada em consulta com um profissional de saúde qualificado que tenha recebido treinamento sobre o uso e as limitações da hipnose clínica.

Além de seu uso em ambientes clínicos, a hipnose é usada em pesquisas e configurações forenses. Pesquisadores estudam o valor da hipnose no tratamento de problemas físicos e psicológicos e examinam o impacto da hipnose na sensação, percepção, aprendizado e memória.

Todos podem ser hipnotizados?

As pessoas diferem no grau em que respondem à hipnose; têm suscetibilidade hipnótica distintas.

A capacidade de uma pessoa em experimentar a hipnose pode ser inibida por medos e preocupações decorrentes de alguns equívocos comuns.

Ao contrário de algumas representações de hipnose em livros, filmes ou televisão, as pessoas que foram hipnotizadas não perdem o controle sobre seu comportamento. A menos que a amnésia tenha sido especificamente sugerida, as pessoas permanecem conscientes de quem são, onde estão e recordam o que aconteceu durante a hipnose.

A hipnose se torna mais fácil para as pessoas experimentarem sugestões, mas isso não as força a ter essas experiências.

Por fim, qualquer pessoa pode ser hipnotizada!

Bônus: 5 fatos sobre o que é hipnose

Então, além das perguntas acima serem as mais comuns quanto a hipnose, deixamos aqui mais 5 fatos sobre a hipnose para reforçar o que é a hipnose.

É importante, enquanto hipnólogo ou hipnotizado, educar-se em relação a todos os aspectos da hipnose. Para que a pessoa esteja disposta e suscetível a entrar nesse processo, é preciso que não haja dúvidas e descrenças.

  1. A hipnose não é um procedimento perigoso, quando praticado por clínicos e pesquisadores qualificados.
  2. A maioria dos participantes hipnotizados não descreve sua experiência como um transe profundo, mas como atenção focada em eventos sugeridos.
  3. Hipnose depende mais dos esforços e habilidades do sujeito do que na habilidade do hipnotizador.
  4. Os participantes mantêm a capacidade de controlar seu comportamento durante hipnose, recusar-se a responder a sugestões, e até mesmo a se opor sugestões.
  5. A hipnose não aumenta a confiabilidade da memória ou promove uma reexperiência literal eventos da infância.

 

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