Como explicar a maneira como cada pessoa enfrenta, entende e convive com a mesma situação? É para tentar responder a esse questionamento que neurociência e realidade se unem. De acordo com o que já foi descoberto até o momento, acredita-se que o cérebro seja capaz de criar” a própria realidade.

Sabe quando, por exemplo, uma pessoa se habitua com a violência ao seu redor? Isso acontece muito com quem vive em lares onde há agressividade por membros da família. Ela adapta a sua vida e simplesmente aceita aquilo como “normal”. A neurociência também busca compreender como isso acontece. 

Conheça mais sobre as transformações no cérebro e como a neurociência e realidade podem estar ligadas. 

O que é neurociência?

Neurociência é o ramo da ciência que estuda o funcionamento e as ações do sistema nervoso, desde os neurônios, até o cérebro. 

Ela busca compreender, por exemplo, qual o mecanismo fisiológico que gera as emoções. Também tenta descobrir porque cada pessoa aprende de maneira diferente ou até qual é o mecanismo ligado à memória. Nesse contexto, existem vários campos para que as mais diferentes áreas possam ser estudadas e compreendidas, incluindo a ligação de neurociência e realidade. Dentre eles:

Assim, é possível dizer que a neurociência é ampla e busca respostas desde o comportamento humano frente a uma realidade, até a possibilidade de reabilitação motora.

Estudo de caso: empatia

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, para buscar compreender as suas dores e emoções. Ela está ligada a um mecanismo neuronal que é usado desde os tempos primitivos. Na época, as pessoas tentavam interpretar se o outro grupo tinha boas intenções ou não antes de buscar uma aproximação.

Com a evolução da sociedade, a empatia continua sendo fundamental para as relações humanas. Por isso, é uma característica de quase todas as pessoas, com exceção de parte dos autistas e dos psicopatas.

Para compreender melhor a relação entre neurociência e realidade que envolve a empatia, pesquisadores dos Estados Unidos estudaram os cérebros de 66 pessoas. Para isso, os voluntários fizeram o exame de ressonância magnética funcional. Enquanto a análise era feita, eles ouviam relatos de dramas que foram vividos por outras pessoas. 

Além disso, eles também precisaram relatar, posteriormente, quais foram os sentimentos provocados por cada história ouvida durante o estudo. De acordo com os resultados, a empatia envolve áreas diversificadas do cérebro humano

Resultados obtidos

As histórias que despertavam a compaixão e a solidariedade ativavam o córtex pré-frontal ventromedial e o córtex medial orbitofrontal dos voluntários. Essas áreas são comumente usadas para avaliar algo. 

Já os relatos que provocaram principalmente angústia envolveram outras regiões cerebrais. Dentre elas, por exemplo, o córtex pré-motor e o córtex somatossensorial primário.

Por fim, o estudo mostrou que quando as pessoas tiveram empatia pelo protagonista do relato ouvido, as reações encontradas nos cérebros delas foram semelhantes. Com isso, os pesquisadores concluíram que mesmo que a percepção da realidade de uma pessoa e de outra seja diferente e pessoal, o padrão de ativação cerebral é semelhante. 

Neurociência e realidade: a interpretação sobre tragédias

Outro ponto interessante é a relação das pessoas, como um todo, com as tragédias. Isso envolve também a ligação da neurociência e realidade. Quando as catástrofes acontecem o cérebro passa a não dar a dimensão real do que está ocorrendo. É o caso, por exemplo, das mortes em massa resultantes da pandemia de coronavírus.

O que no início era chocante, passou a fazer parte do dia a dia e já não assusta mais. Isso pode ser explicado porque faz parte do funcionamento do cérebro se habituar com coisas rotineiras. É o que acontece, por exemplo, com o costume do caminho que é feito entre a casa e o trabalho. 

Essa mesma tendência a se habituar é usada em outras ocasiões. Na pandemia, por exemplo, no início a morte de 500 pessoas no mundo era assustador. Com o tempo, mais de 2 mil pessoas passaram a morrer diariamente no Brasil também pela Covid-19. E a maioria das pessoas já processou isso como normal.

Isso ocorre porque a realidade é a maneira com a qual o cérebro interpreta as informações. Com isso, a maneira como as pessoas interagem com o meio e respondem às coisas, por vezes, acaba sendo falho. 

A neurociência explica

De acordo com o que a neurociência já descobriu, quando o número é grande, como é o caso da quantidade de óbitos consequentes da pandemia, o cérebro humano tem dificuldade de compreender a real dimensão. 

Quando se pensa em quase 4 milhões de mortos no mundo devido ao coronavírus, o cérebro não consegue compreender bem. Isso pode ser justificado pelo fato de ser um número muito fora da realidade cotidiana

O resultado de uma pesquisa, que foi publicado na revista Nature, pode explicar isso. Ela mostrou que as áreas do cérebro ligadas à empatia (principalmente o córtex pré-frontal) são mais ativadas quando um evento acontece com uma pessoa apenas, do que quando envolve milhares. 

Como o cérebro tende a dar mais atenção ao que vê ou ao que sente, se ele não processa tanta empatia por milhares de mortos, acaba fazendo com que a mente humana não assimile direito o que está acontecendo. Isso ocorre porque, embora todos saibam do número ligado à pandemia, por exemplo, ninguém vai ver essa quantidade de pessoas mortas de uma só vez. 

Ao mesmo tempo, quando o mesmo problema atinge apenas uma pessoa próxima, quem está ao redor é despertado para a realidade. Isso acontece porque o risco de perder alguém faz com que o cérebro seja despertado para a real situação mundial.

Seja no meio de uma pandemia ou quando qualquer sentimento intenso afeta uma pessoa, por vezes, ela precisa de ajuda para superar. Isso ocorre quando há um trauma pela perda de um ente querido, por exemplo. Descubra como lidar com sentimentos e emoções com a ajuda da hipnose.

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