Placebo aberto: o que é e como a hipnose potencializa esse efeito

Tempo de leitura: 6 minutos

5
(1)

A administração de placebo é algo comum em pesquisas científicas, que visam testar a eficácia de certas drogas. No entanto, quando se fala em seu uso na terapia, há certo receio, pois entende-se que essa aplicação enganaria o paciente, o que não seria ético. Contudo, o chamado placebo aberto pode ser uma maneira de usar o efeito placebo a favor do tratamento do paciente, sem ser antiético. 

Resumidamente, no caso do placebo aberto, a pessoa sabe que o que está sendo feito não tem um efeito real, que seja comprovado. No entanto, como ela acredita naquilo, acaba sentindo o efeito positivo do que é proposto.

Um exemplo do placebo aberto, que provavelmente você conhece, é oferecer água com açúcar para uma pessoa nervosa. Essa ação é comum e foi ensinada, para a maioria das pessoas, como uma maneira de deixar o indivíduo tenso mais tranquilo.

Entretanto, a maioria dos que aceitam a água com açúcar sabe que não há nenhum efeito farmacológico nessa mistura. O açúcar não é um fármaco calmante. Mesmo assim, o indivíduo, que está nervoso, o toma, sabendo que “não servirá para nada”, e se sente melhor. Esse é o placebo aberto. A pessoa está consciente de que a substância não tem efeito real, mas a aceita como se tivesse e acaba sentindo um efeito positivo

Veja mais sobre esses termos e suas possíveis aplicações na terapia ou na hipnoterapia.

O que é efeito placebo?

O chamado placebo é muito usado em pesquisa científica para ver a real eficácia de uma substância. Vamos supor que o estudo seja feito com 100 pessoas e queira avaliar se uma droga promove o relaxamento muscular. 

Antes de começar os testes, os voluntários são avisados de que metade receberá o comprimido com o fármaco estudado e a outra parte irá receber o comprimido, no mesmo formato e tamanho, mas sem a droga, ou seja, o placebo. 

A pessoa sabe que pode estar correndo o risco de tomar algo sem eficácia, mas não será informada se está recebendo o placebo ou não. Isso serve para comparar os efeitos e avaliar se a droga testada tem os resultados esperados. 

Embora o almejado seja que quem tomou o placebo não sinta nenhum benefício, às vezes acontece o que é chamado de efeito placebo. Trata-se da sensação de melhora, que é sentida pela pessoa, sem que ela tenha se tratado com nenhuma substância ativa. 

No entanto, na prática clínica, se o médico prescrever um placebo para uma pessoa, sem que ela saiba, ele está sendo antiético. O mesmo acontece na terapia ou hipnoterapia. Por isso, o uso de placebo aberto pode ser uma alternativa. 

O que é placebo aberto?

O placebo aberto é quando a pessoa recebe o medicamento ou uma orientação do terapeuta e sabe, de forma consciente, que aquilo não tem eficácia científica. No entanto, usa e sente melhoria. É quando, por exemplo, alguém indica um comprimido de açúcar, o indivíduo sabe, toma e, na sequência, se sente bem.

Isso pode até soar um pouco estranho, mas é tão real que é possível até comprar comprimidos de placebo. A alternativa está disponível fora do Brasil. Há uma marca, que é chamada de Zeebo e que vende o chamado “placebo honesto”. 

Trata-se de um produto, que é a base de gelatina e outras substâncias sem eficácia, e que é vendido, como placebo, para quem tem interesse. A “promessa” da empresa é de que ao tomar, a pessoa sentirá uma sensação de bem-estar.

Mesmo que não tenha nada que proporcione isso, esse placebo aberto parece estar agradando aos usuários. Em uma loja, na qual ele é vendido, as pessoas podem avaliar o produto com até cinco estrelas, o que significaria que ele é excelente. O placebo aberto da Zeebo tem a nota 4,3 estrelas, ou seja, as pessoas adoram e realmente se sentem bem ao tomar um comprimido sem eficácia. 

Por que o placebo aberto funciona?

É possível dizer que o placebo aberto pode dar bons resultados. Mas porque isso funciona? Por que, mesmo sabendo que o produto não adiantará para nada, a pessoa sente essa melhora? Ainda não foi possível explicar isso. No entanto, acredita-se que possa estar relacionado a:

  • confiança no tratamento: só o fato da pessoa ter uma expectativa de melhora e confiar em quem está indicando o placebo, ela pode se sentir bem;
  • otimismo: no geral, quem aceita o placebo aberto é otimista e tem uma mentalidade aberta. Por isso, o organismo poderia responder bem ao “tratamento”;
  • preço: a parte financeira também influencia. Naturalmente, as pessoas creem no funcionamento de remédios caros. “Se é caro é bom“. Assim, se o placebo tiver um preço alto, sem perceber, o indivíduo o aceita como real e sente os benefícios;
  • tamanho: o fato de ter uma marca e ser ofertado em pequenas pílulas também influencia. Mentalmente, acredita-se que mesmo em pequena quantidade, aquilo pode trazer melhorias; 
  • injetável: há também uma tendência a acreditar que injeções são mais rápidas e eficientes. Por isso, os placebos injetáveis surtem mais efeitos;
  • cor do comprimido: há uma tendência a ver que um placebo aberto vermelho seja mais estimulante. Já o azul causa a sensação de calma. Por outro lado, os amarelos têm efeito antidepressivo. Enquanto os brancos são para a redução da dor. Finalmente, os verdes servem para diminuir a ansiedade, ou seja, a pessoa liga a cor com o efeito obtido. 

Como a hipnose potencializa esse efeito?

Para que o efeito placebo ocorra, as palavras precisam fazer sentido em relação ao universo interior da pessoa. Por isso, a medida em que a hipnose está na rotina de um indivíduo, seja pela hipnoterapia ou auto-hipnose, antes de tudo é necessário que a pessoa acredite nas diferentes possibilidades de cura ou melhora através da técnica.

Assim, quanto mais for levado em consideração o universo individual do paciente, como seus valores e crenças, maior será o acesso, bem como maior será o rapport estabelecido com o hipnoterapeuta. A hipnose acaba por facilitar todo esse processo, pois cria estados ideais para a mente receber e aceitar novas informações e aprendizagens. É um efeito engajador e potencializador.

Crença x eficácia

Como visto, há uma relação entre o que a mente aceita como benéfico e a “eficácia” do placebo aberto. A relação entre engolir um comprimido de açúcar e se sentir bem se baseia no que a pessoa armazena na mente.

O poder da mente é também a base dos tratamentos feitos pelos hipnoterapeutas. Por meio de técnicas, esses profissionais conseguem ajudar o indivíduo a mudar o que tem arquivado nela. Dessa forma, ele é capaz de se sentir melhor. Conheça mais sobre a hipnose e veja como ela é definida cientificamente.

Esse artigo foi útil?

Clique na estrela para pontuar!

Média de pontuação 5 / 5. Vote count: 1

No votes so far! Be the first to rate this post.

Hackeando realidades

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três + 18 =