Hipnose não-verbal: como e quando ela é usada

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Na hipnose tradicional, o uso da fala é constante para que a pessoa altere o estado de consciência. Já a hipnose não-verbal usa outras formas de se comunicar, além da palavra. Gestos, toques e comportamento estão dentre as maneiras de interação. Com isso, pretende-se chegar ao emocional das pessoas, mesmo quando essas não estiverem dispostas a colaborar.

Assim, na hipnose tradicional o indivíduo ouve o que o hipnoterapeuta diz, pensa e altera as ações. Enquanto na não-verbal os sentidos são hiper estimulados

Essa pode ser a técnica de escolha para tratar pessoas de diferentes idades. Como destaque, é uma alternativa interessante para trabalhar a hipnose com indivíduos autistas. Evidentemente, neste caso, o toque não fará parte da comunicação, uma vez que autistas geralmente têm sensibilidade extrema ao toque.

Seja qual for a escolha e o motivo, a hipnose não-verbal pode ser usada para atingir o reequilíbrio emocional. É também indicada para casos de traumas, transtornos ou crises de ansiedade

A hipnose não-verbal pelo tempo 

Na hipnose cognitiva, que usa psicoterapia e realiza abordagem cognitivo-comportamental, o indivíduo precisa colaborar para a hipnotização. Enquanto na hipnose não-verbal isso não é necessário. Nesta técnica, são usados métodos fisiológicos para que o indivíduo entre em transe, mesmo que ele não ajude. 

Tida como uma das técnicas mais antigas, a hipnose não-verbal foi formalizada com a em um livro escrito por um médico austríaco. A obra, chamada de Mémoire sur la découverte du magnétisme animal, foi publicada em 1779, na França. O autor é Franz Anton Mesmer. Contudo, técnicas semelhantes já eram mencionadas nas escrituras egípcias.

O médico austríaco usava a técnica com pacientes e fez da hipnose não-verbal uma aliada. Na época, muitas pessoas foram curadas graças ao método empregado.

Mesmo assim, a comunidade científica não aceitou a hipnose como forma de tratamento. Isso é bem diferente do que acontece hoje, quando a ciência, a medicina e a hipnose caminham juntas. 

Embora tenha sido usada por muito tempo, a hipnose não-verbal acabou esquecida pelos profissionais da área. A maioria usa as palavras no dia-a-dia dos atendimentos. Contudo, o uso da hipnose não-verbal está novamente se popularizando e atraindo especialistas da área. 

Embora não seja a solução para todos os problemas, a hipnose não verbal volta como uma alternativa. O hipnoterapeuta consegue usá-la com pessoas que possam não ser tão receptivas ao outro método.

Além disso, ela é compreendida em qualquer parte do mundo. Assim, um profissional brasileiro, que não fala japonês, consegue tratar nativos do Japão. Nesse caso, a comunicação é corporal.

Compreensão dos gestos humanos

Para trabalhar com a hipnose não verbal é preciso estar preparado para compreender os gestos humanos. Cada movimento é uma forma do corpo dizer algo, e essa é a base da técnica.

O transe atingido é tão forte que é possível despertar memórias do corpo. Essas, serão responsáveis por ativar ou reduzir ondas e funções cerebrais diferentes. Com isso, será possível contornar as referências e reações que uma pessoa possui.

Para ficar mais fácil compreender, pense na postura de uma pessoa que acaba de conseguir um emprego novo. Ao chegar à empresa, normalmente, ela passa alguns dias observando a postura dos colegas antes de “se soltar”. Nesse período, a pessoa capta sugestões de comportamento e passa a segui-los. Com isso, dá para notar a naturalidade do ser humano em buscar referências comportamentais. É com isso que a hipnose não-verbal trabalha. 

Quando a referência é identificada, é possível despertar as reações desejadas por meio da comunicação não-verbal. Como as alterações são instigadas pela observação do comportamento, elas acabam sendo mais rápidas. Assim, a hipnose não-verbal é tida por muitos como um método de respostas mais rápidas. 

Autismo e a hipnose não verbal

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é muito complexo. Isso faz com que cada autista tenha características particulares de comportamento. Porém, a dificuldade de interagir é algo marcante em quase todos os indivíduos.

Ela pode ser de mais branda à mais severa, dependendo do quadro. Assim, para que um hipnoterapeuta trabalhe com um autista é preciso lançar mãos de alternativas. 

Vale lembrar que a hipnose é um dos tratamentos alternativos para o autismo. A técnica é aplicada para tratar a ansiedade subjacente, frequente no transtorno. 

Entretanto, como a interação e comunicação são difíceis para o indivíduo autista, a hipnose não-verbal torna-se uma alternativa interessante. Assim, terá como abordar o autista, mesmo que ele não queira interagir ou colaborar. 

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Este artigo é baseado em uma aula ministrada ao vivo pelo practitioner em PNL e coach Gogo Cristo Neto para os alunos dos cursos online do professor Alberto Dell’isola.

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